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XXXI Conferência Leo - Tempo e Reflexão

A propósito da Conferência Leo, em Castelo Branco, e do acompanhamento dos trabalhos, lembrei-me do que tenho lido e ouvido sobre o “estado” do lionismo. Parece consensual que os movimentos deste tipo estão enfermos.

Digo com muita frequência aos jovens, na qualidade de Conselheiro e amigo, que o futuro são eles e deles se espera, hoje, a construção do amanhã. Digo, também, que a sua formação passa pela família, a escola e os outros. A formação é um todo e o voluntariado é um meio entre muitos, que nos ajuda a crescer.

Do que precisamos é de Lions oriundos dos Leos que entendam o conceito “velho” do movimento e o rejuvenesçam sem o descaracterizar. Esta atitude não é fácil, porque existem resistências que, sendo perfeitamente naturais nos Lions, são estranhas nos Leos. Conservarmo-nos “fechados”, fingindo-nos muito abertos, é regredir. E, quem regride, extingue-se.

“É preciso renovar”, “é preciso atrair os jovens ao movimento”. Mas para renovar ou atrair, parece-me não ser este o melhor caminho.

Por isso, sou também da opinião que a casa tem de estar bem arrumada antes de nos precipitarmos em grandes aventuras. Se algumas iniciativas ou actividades são de acarinhar, como a que se viveu neste fim-de-semana, outras devem ser muito ponderadas. É urgente cimentar o espírito de equipa pelo reforço da amizade, da sã convivência e da solidariedade. Neste contexto, devemos privilegiar a igualdade entre pares. Os Leos não foram criados com o objectivo, quase obsessivo, de angariar fundos. Foram criados pensando em LIDERANÇA, EXPERIÊNCIA e OPORTUNIDADE. E são estes três vectores que devem ser valorizados. Ser líder não é ser distante ou intransigente. É ser capaz de aliar a experiência à oportunidade e delas fazer o seu percurso de vida. Com firmeza sim, mas também com humildade.

O exercício da autoridade não é incompatível com a tolerância, a flexibilidade, o respeito, a nobreza da aceitação do erro. Ser inflexível para parecer autoritário quer, em minha opinião, dizer insegurança. Só o inseguro tem medo do novo ou do diferente.

Confesso que estou apreensivo com a postura dos jovens de hoje e, naturalmente, dos Leos. Ouço com muita facilidade dizer que os jovens precisam de espaço. Concordo; mas manifesto a minha apreensão quando os jovens revelam tantas carências na relação interpessoal. Tenho notado, por exemplo, uma certa fricção entre Leos e Lions e maior, por parte daqueles. Tenho sentido quase uma animosidade competitiva. Tenho pressentido uma atitude quase de repulsa, quando sentem a presença de um adulto Lion. Tenho sentido, mas espero ardentemente que seja só impressão, que os jovens primam pelo afastamento. Tão longe se colocam, que ignoram quem deles se pretende aproximar/despedir (tomo como exemplo a atitude de dirigentes Leos, com maior responsabilidade, que estiveram nesta cidade). Esta sobranceria não lhes fica nada bem. Volto a repetir: - a humildade e o respeito fazem parte do crescimento.

Círculo fechado ou ausência de alguns valores, como a tolerância, a amizade, o respeito, a compreensão e o sentido de equipa? Prefiro pensar em distracção, nervosismo ou preocupação.

Num mundo de egoísmos, estes movimentos de solidariedade só irão sobreviver se TODOS formos capazes de perceber o conceito de voluntário. Todos somos voluntários e todos temos a obrigação de estarmos unidos na defesa do mesmo objectivo. Objectivo que não é outro senão o de SERVIR a comunidade “apenas” pelo prazer de ser solidário (não confundir com caridade).

Procurar protagonismos em movimentos que valem pelo seu todo e onde a discrição deve predominar, é liquidá-los. Sustento esta minha apreensão quando vejo jovens intolerantes, agarrados a comportamentos que dizem não seguir, misturando, ainda, faltas de respeito pelos outros jovens e descaradamente pelos adultos; o contrário também é verdadeiro!

Dizemos que é preciso deixar voar os jovens. É bonito; mas então porque lhes aparamos as asas? Dizerem, os jovens, que é preciso deixá-los voar, além de bonito é essencial! Mas então, porque não interiorizam um conceito simples que é o direito ao respeito pelos valores da sociabilidade?

Vivemos em sociedade e em sociedade medimos comportamentos. Se o exemplo é precário, os resultados são nulos na eficácia.

Quando me perguntam qual o futuro de movimentos como este, habitualmente respondo: - se conseguirem uma efectiva adaptação ao mundo real, não só sobreviverão como sairão mais reforçados. Mas acrescento que é uma tarefa difícil, muito complicada e talvez inglória. A experiência aliada à irreverência pode ser o caminho, desde que perfeitamente articuladas.

A humildade fica muito bem e o reconhecimento também não fica nada mal.

Se os “jovens” já têm tiques de “menos jovens”, que dizer dos ainda menos jovens? Será que hoje os jovens receiam, também eles, a novidade, opondo-se à inovação e arrastando assim o movimento para aquela “coisa chata” que a todos afasta? Eu recuso-me a aceitar que a visão está tão empobrecida que, dificilmente, passa do umbigo…

O movimento Lionístico, e estou a incluir os Leos, está doente porque nós queremos que não se cure. Temos de ser capazes de dar a volta ao marasmo e fazer, dum projecto lindo, um exemplo de solidariedade, realmente exequível, humanizado, autêntico e fácil. Ajudar o outro não é difícil; quando muito, será complicado! Mas, com tempo, não é impossível; precisamos apenas de dar as mãos e olhar no mesmo sentido, sem atropelos ou vaidades.

Enquanto não tivermos a coragem de nos adaptarmos à nova realidade e não formos capazes, Lions e Leos, de entender esta nova ordenação sócio-geográfica, nada do que possuímos como verdade, é verdadeiro.

Uma vez que falei nas Jornadas, aproveito para felicitar a CL Andreia Serrasqueiro e a sua equipa pela excelente organização, que será criticada por alguns, mas profusamente elogiada pela maioria.

Andreia, tenho orgulho destes LEOS de que é a Presidente. Bem-haja pelo seu trabalho e empenho!

 

CL António Barata

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