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A NOSSA FESTA DE HOMENAGEM ÀS COMPANHEIRAS

Eram 21 horas do dia 27 de Maio de 2011, quando se deu início à Festa de Homenagem às Companheiras, assembleia presidida, conforme a tradição do Clube, pela Esposa do CL Presidente, a Cª Isabel Afonso

A NOSSA FESTA DE HOMENAGEM ÀS COMPANHEIRAS

 

Eram 21 horas do dia 27 de Maio de 2011, quando se deu início à Festa de Homenagem às Companheiras, assembleia presidida, conforme a tradição do Clube, pela Esposa do CL Presidente, a Cª Isabel Afonso.

Aberta a sessão, segundo a fórmula protocolar, a Cª Presidente convidou a CL Gracinda Gil Silveira para ler a Invocação. Depois pediu à Assembleia que, olhando as Bandeiras Nacional, do Município e do Clube, cada um dos presentes recordasse o seu significado. Leu o Código de Ética do Lionismo a Cª Isabel Tonilhas.

Pediu a Cª Presidente se guardasse um minuto de silêncio em memória de D. Isaura Ferreira, tia dos Companheiros José Maria Gouveia Ferreira e Maria Guilhermina Azevedo Gama Ferreira, e de D. Maria da Conceição Pereira Beirão, irmã dos Companheiros Maria José Pereira Beirão Alves Pacheco e José Augusto Alves Pacheco, recentemente falecidas.

Em breve intervenção, audou a Cª Presidente a Assembleia, agradeceu a Homenagem dos Companheiros às Companheiras e fez entrega da direcção da sessão à CL Maria Eugénia Monteiro Borges, entregando-lhe o sino, martelo e colar.

A Directora da Sessão, recebidas as insignias, saudou os Companheiros, lamentando as ausências, e leu o poema, de Maria José S Almeida:

            Louvor à mulher

que bem sabe amar     

            sem alienar

pedaços de si

            Que sabe sofrer

cantar e chorar

            mas também sorri.

            Que sabe escutar

            a grande mensagem

            da Mãe Natureza

            rumo à liberdade

            que nasce cá dentro:

            força gigantesca

            a mudar o rumo

            da Sociedade.

 

            Louvor à mulher,

que aceita ser Mãe

            tão grande

tão bela,

tão frágil missão

            que dura uma vida

por vezes sentida

            tão fora de mão…

 

Vejam a beleza

Das frágeis flores!

Não pisem

nem colham

quer sejam nascidas

da pura ilusão

do prazer, da dor

ou mesmo geradas

da paixão do amor.

 

            Louvor à Mulher

que sabe o que quer,

que quer o que é seu;

            não berra

não grita

no mar que se agita

mas sabe lutar

com as armas que tem:

pura dignidade

a fêrrea vontade

feita heroicidade

quer queiram quer não

padrões milenares,

que devagarinho

vão caindo ao chão.

 

Louvor à Mulher

que vai transformando

toda a sua luta

num hino à vida

feita oblação

no altar gigante

dessa catedral

que é seu coração

e sabe beber

a gota de orvalho

da sabedoria

que cai majestosa

quando humildemente

se estende a mão.

 

Louvor à Mulher

que sabe utilizar

o discernimento

no bem e no mal

e sacrificar

puros desejos

porque outros valores

maiores se levantam

a marcar lugar

entre a multidão.

Deixem-na passar

não barrem caminhos

traz olhos divinos

ternura

carinhos

lágrimas caídas

de mágoas nascidas

feitas doação.

 

 

Louvor à Mulher

que nesta viragem

da história velhinha

desta Humanidade

vivida à maneira

de um falso poder

sabe dar as mãos

beber da essência

da pura existência

e compreender

que a vida é poema

feito de igualdade

a vida é poema

de amor e saudade

a vida é poema

para se viver

 

            Louvor à Mulhe

que sabe guardar

segredos de paz,

feitos de luar,

do calor do sol,

de neve, do mar,

que sabe cantar

na voz das flores

e rodopiar

na dança divina

cativa de sonho,

de sons e de cores

E porque a vida

é constituída

do maior mistério

que é dado sentir.

 

Mulher,

não deixes perder

toda esta riqueza

que a vida te pôs

pra saborear

à disposição

em cima da mesa.

(Maria José S. Almeida)

 

No momento de trabalho, o CL Secretário leu a acta de 6 de Maio de 2011, que posta à discussão e votação foi aprovada. No uso da palavra deu conhecimento duma carta recebida da ex-CL Maria José Morais de Almeida, confirmando ter solicitado a sua exclusão do quadro social por carta registada, enviada em 25.05.2010, ao Presidente do Clube, PCC Fernando Marques Jorge, que confirmou a sua recepção. Finalizou dizendo que dará baixa da ex-CL no próximo Informe Mensal e que neste informe dará também baixa dos Companheiros do Núcleo de Nisa que não responderam às duas cartas que lhes foram enviadas, a última das quais para satisfazer os seus débitos de quotas até ao passado dia 25 deste mês.

No Momento da Instrução Lionística, o CL Alves Pacheco tratou o tema da “Exclusão de Sócios”, cujo texto se anexa a esta acta.. No Momento de Companheirismo, usaram da palavra:

- O CL Alves Pacheco, que disse não querer deixar de saudar as Companheiras nesta Assembleia em que o Clube lhes agradece a sua colaboração nas actividades desenvolvidas ao logo de cada ano. Recordou o Companheiro algumas das mulheres que segundo a Bíblia, marcaram e mudaram a vida do seu tempo. Mulheres de Fogo, disse, assim são lembradas. E lembrou Ester, Marta e Maria sua irmã, irmãs de Lázaro, Maria Mãe de Jesus, a Samaritana. De Ester recordou como com risco da vida obteve do rei Assuero a revogação da ordem de exterminação do povo judeu e como o falso denunciante desse povo, o dignatário Haman, acabou na forca de 50 côvados de altura que ele construíra para dar execução ao decreto real. E continuou: “mulheres de fogo” são todas as nossas Companheiras aqui presentes, que têm sido a alma das nossas actividades. Sem elas o Clube não teria alcançado o vigor passado, sem elas o Clube não retomará a alegria das nossas assembleias com mais de 85% de presenças nem o caminho do serviço aos necessitados. Companheiras, disse, a vida do Clube está nas vossas mãos. Depende de vós que os Companheiros tornem interessados às reuniões. “Piquem-nos” para que participem em todas as assembleias e nas actividades programadas.

- O PCC Fernando Marques Jorge que começou a sua intervenção recordando que uma sociedade, uma comunidade que não preste homenagem ao mérito dos seus membros não merece o nome que tem. Homenageamos os Companheiros de Melvin Jones, homenageamos os Companheiros falecidos. Temos de homenagear as nossas Companheiras, que a elas cabe o mérito do serviço que o Clube tem prestado ao longo dos anos. Estamos adormecidos; há que seguir o seu exemplo e com elas despertar.    

A CL Esmeralda Mendes Carmona, dizendo que esta era uma homenagem justa.

O C L Presidente António Afonso que disse:

“Hoje vou dedicar este post exclusivamente à mulher! Para me associar ao seu dia e para lembrar algumas figuras que ficaram na história.

Durante décadas, o papel da mulher incidiu sobretudo na sua função de mãe, esposa e dona de casa. Ao homem estava destinado um trabalho remunerado no exterior do núcleo familiar. Com o incremento da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX, muitas mulheres passaram a exercer uma actividade laboral, embora auferindo uma remuneração inferior à do homem. Lutando contra essa discriminação, as mulheres encetaram diversas formas de luta na Europa e nos EUA.

LENDA E REALIDADE

A Lenda do Dia Internacional da Mulher como tendo surgido na sequência de uma greve, realizada em 8 de Março de 1857, por trabalhadoras de uma fábrica de fiação ou por costureiras de calçado – e que tem sido veiculada por muitos

órgãos de informação – não tem qualquer rigor histórico, embora seja uma história de sacrifício e morte e cai bem como mito.

Em 1982, duas investigadoras, Liliane  Kandel e  Françoise Picq, demonstraram que a famosa greve feminina de 1857, que estaria na origem do 8 de Março, pura e simplesmente não aconteceu (Se consultarmos o calendário perpétuo e digitarmos o ano de 1857, podemos verificar que o dia 8 de Março calhou a um Domingo, pelo que nunca poderia ter ocorrido uma greve nesse dia de descanso semanal), não vem noticiada nem mencionada em qualquer jornal norte-americano, mas todos os anos milhares de órgãos de comunicação social contam a história como sendo verdadeira (“Uma mentira constantemente repetida acaba por se tornar verdade”).

Verdade é que em 1909, um grupo de mulheres norte-americanas se reuniu numa jornada pela igualdade dos direitos cívicos, que estabeleceu criar um dia especial para a mulher, que nesse ano aconteceu no dia 28 de Fevereiro. Ficou então acordado comemorar-se este dia no último domingo de Fevereiro de cada ano, o que nem sempre foi cumprido.

A fixação do dia 8 de Março apenas ocorreu depois da 3ª Internacional Comunista, com mulheres como Alexandra Kollontai e Clara Zetkin. A data escolhida foi a do dia da manifestação das mulheres em São Petersburgo, que reclamaram pão e o regresso dos soldados. Essa manifestação ocorreu no dia 23 de Fevereiro de 1917, que no Calendário Gregoriano (o nosso) é o dia 8 de Março. Só a partir daqui se pode falar em 8 de Março, embora apenas depois da II Guerra Mundial esse dia tenha tomado a dimensão que foi crescendo até à importância que hoje lhe damos.

A partir de 1960, essa tradição recomeçou como grande acontecimento internacional.

 

Permito-me recordar aqui grandes mulheres que se notabilizaram no mundo das letras e das artes. Escolhi 9 nomes porque o espaço não me permite mais. São elas: Augustina Bessa Luís, Amália Rodrigues, Amélia Rey Colaço, Beatriz Costa, Elvira Velez, Irene Lisboa, Luísa Todi, Maria Lamas, Palmira Bastos.

Permito-me ainda recordar

 

POESIA QUE A MULHER FAZ”:

 

Teu corpo seja brasa

E o meu a casa

Que se consome no fogo.

 

Um incêndio basta

Para consumir esse jogo

Uma fogueira chega

Para eu brincar de novo

(Alice Ruiz)

 

Cheia de penas me deito

E com mais penas me levanto

Já me ficou no meu peito

O jeito de querer tanto.

 

Tenho por meu desespero

Dentro de mim o castigo

Eu digo que não te quero

E de noite sonho contigo

(Amália Rodrigues)

 

Sonhei comigo

esta noite

Vi-me ao comprido

Deitada

Tinha estrelas

nos cabelos

em meus olhos

madrugadas.

Sonhei contigo

esta noite

como queria

ser sonhada

Senti o calor da mão

percorrendo uma guitarra

De longe vinha um gemido

uma voz desabalada

Havia um campo

de trigo

um sol forte

me abrasava.

E acordei

meio sonhando

procurando

me encontrar.

Quando me vi

ao espelho

era teu

o meu olhar.

(Eugénia Tabosa)

 

Quebra a gaiola, pássaro louco!

Não mais fronteiras, foge de mim,

que a terra é curta, que o mar é pouco,

que tudo é perto, princípio e fim.

(Fernanda Castro)

 

Li um dia, não sei onde,

Que todos os namorados

Uns amam muito, e os outros

Contentam-se em ser amados.

 

Fico a cismar pensativa

Neste mistério encantado …

Digo pra mim: de nós dois

Quem ama e quem é amado?...

(Florbela Espanca)

 

A insistência da Directora da Sessão, as Companheiras Mena e Maria do Rosário levantaram-se para de improviso reavivar o antigo dueto “Lima-Limão” por elas feito nesta Festa durante anos. Com alto sentido crítico a Cª Maria do Rosário, rindo, com chispe e à-vontade, como é seu modo de ser e de estar, disse: quem podemos nós louvar senão a CL Maria Eugénia, a sempre disponível: A Maria Eugénia trata e ela trata; a Maria Eugénia faz e ela faz, a Maria Eugénia vai e ela vai, a Mara Eugénia dirige e ela dirige, a Maria Eugénia diz e ela diz…

E disse, de facto, a CL Maria Eugénia, a terminar este momento de Companheirismo, o poema de José Jorge Letria:

 

UM POUCO MAIS DE NÓS

 

Podes dar uma centelha de lua

um colar de pétalas breves

ou um farrapo de nuvem;

podes dar mais uma asa

a quem tem sede de voar

ou apenas o tesouro sem preço

do teu tempo em qualquer lugar;

podes dar o que és e o que sentes

sem que te perguntem

nome, sexo ou endereço;

podes dar em suma, com emoção,

tudo aquilo que, em silêncio,

te segreda o coração;

podes dar a rima sem rima

de uma música só tua

a quem sente a miséria dos dias

na noite sem tecto de uma rua;

podes juntar o diamante da dádiva

ao húmus de uma crença forte e antiga,

sob a forma de poema ou de cantiga;

podes ser o livro, o sonho, o ponteiro

do relógio da vida sem atraso,

e sendo tudo isso serás ainda mais,

anónimo, pleno e livre,

nau sempre aparelhada para deixar o cais,

porque o que conta, vendo bem,

é dar sempre um pouco mais,

sem factura, sem fama, sem horário,

que a máxima recompensa de quem dá

é o júbilo de um gesto voluntário.

 

E, afinal, tudo isso quanto vale?

Vale o nada que é tudo

Sempre que damos de nós

O que, sendo acto de amor, ganha voz

E se torna eterno por ser único e total.

 

Encerrado o momento de Companheirismo, a Directora da sessão deu por finda a sua colaboração e devolveu à CL Presidente o sino, martelo e colar.

Com votos de uma noite feliz, a CL Presidente declarou encerrada a sessão, eram 23,00 horas.

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